Um dia de cada vez…

Elocubrações de uma mulher em transformação

Vide São Cristóvão… 08/05/2012

Conta a história que Reprobus, Relicto, ou, mais tarde, Cristóvão, para os íntimos, foi filho de um rei pagão da região do Oriente Médio e tinha como objetivo de vida servir o homem mais poderoso do mundo.

Em sua busca, serviu a guerreiros e imperadores e percebeu que mesmo os mais fortes temiam alguém ou alguma coisa.

Um dia, enquanto descansava à beira de um rio, conheceu um velho eremita cristão que morava na região, para quem contou sua história.

Enquanto conversavam, chegou uma caravana para atravessar para o outro lado do rio, mas não havia ponte, e a travessia era perigosa, em razão da correnteza.

Reprobus foi convencido pelo eremita a auxiliar àquelas pessoas a cruzar o rio, mas que jangada que nada, levou-as todos sobre seus próprios ombros, cruzando a correnteza do rio com as forças de suas próprias pernas.

Eis que, ao levar uma criança de um lado para o outro do rio, no entanto, Reprobus se vê em uma situação absolutamente inesperada para um homem com sua força e estatura: à medida que vadeava o rio, o menino se tornava cada vez mais pesado – tão pesado como se o mundo inteiro tivesse sobre seus ombros, e ele não pudesse terminar de cruzar o rio.

Posso sentir, neste exato instante, o desespero de Reprobus: exaurido por um esforço desumano, não poderia considerar o abandono de sua caminhada uma opção, pois a criança tinha de chegar a salvo ao outro lado do rio, o que aconteceu. Quando chegou, a criança se revelou o Cristo, e Reprobus se tornou “Cristóvão”.

Para variar, como alguns dos meus santos preferidos, Cristóvão não é totalmente reconhecido pela Igreja Católica, mas quem vai negar sua simbologia (tão forte como a de São Jorge)? De minha infância, por exemplo, a festa do 25 junho, quando meus pais levavam todos os carros e caminhões para benzer e colocar uma medalha de São Cristóvão, é uma constante.

Hoje ocorreu o lançamento do livro “Mulheres na Jornada do Herói: pequeno guia de viagem” da Bia Del Pichia e da Cris Balieiro (clique aqui) – e, acreditem ou não, - e foi justamente a história de Cristóvão que me veio à mente quando comecei a ler o livro.

A jornada é dura, mas sempre chega a um fim, se estivermos engajadas com o nosso propósito, não importante quão exaustiva seja  - e, uma vez alcançado esse “fim”, voltamos sempre um pouco diferentes para o outro lado do rio.

 

 

 

 
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