Um dia de cada vez…

Elocubrações de uma mulher em transformação

Passos de bebê 02/01/2011

Conta a história que, em 490 a.C., ao fim das Guerras Médicas, entre gregos e persas, o general grego Milcíades ordenou a seu melhor corredor, o soldado e atleta Filípides, que corresse da planície de Marathónas até Atenas, situada a cerca de 42 km dali, para avisar que haviam vencido a batalha. O objetivo era evitar que as mulheres da cidade matassem seus filhos e se suicidassem em seguida, a fim de não se sujeitar à violência da invasão persa. O soldado correu o mais rapidamente que podia e, ao chegar, conseguiu dizer apenas “vencemos” e caiu morto pelo esforço.

Cerca de 2400 anos mais tarde, em 1896, quando se iniciam os Jogos Olímpicos da era moderna, Filípides foi homenageado com a criação de uma prova, a “maratona”, a prova a mais longa, desgastante e uma das mais difíceis e emocionantes do atletismo dos jogos olímpicos de verão.

Seja para disputar a prova dos 100 metros rasos, a maratona ou eco-challenge (a mais famosa e mais difícil corrida da natureza), o treinamento sempre começará com um pedômetro, para contar o número dos passos que o corredor dará; e foi com passos trôpegos que a atleta suíça Gabrielle Andersen chegou, em Los Angeles, em 1984, ao fim da primeira maratona feminina da história dos jogos olímpicos da era moderna:

Sou fascinada por esportes, mas por corridas e maratonas em especial, desde muito criança – e, talvez, esta fascinação esteja relacionada com a “superação de limites” e o “controle sobre o próprio corpo” que são necessários para um desempenho de sucesso, uma fixação que reconheço ter, mas que será tópico de outro post, pois o que me interessa no momento é como a preparação para a prova mais longa e desgastante de toda a olimpíada (desde 1908, a prova é disputada com a distância de 42.195 km) começa com a mais simples das unidades: o passo.

Pode procurar, e se achar lhe pago uma cerveja, mas não há atleta na história que tenha começado a se preparar já correndo os 42 km. Ao contrário, o treinamento e a preparação sempre foram progressivos, pois, ao longo do tempo, corrige-se posturar inadequadas e adaptam-se os objetivos.

Existe algo extraordinário nisso? Creio que não, pois ninguém aqui é louco de querer sair correndo mais de 40 km num único dia.

Agora, se ninguém é louco para sair correndo 40 km do nada, por que achamos que podemos fazer isso em outros tópicos de nossa vida, como superar a obesidade mórbida que coloca a vida da pessoa em risco ou retirar do fundo do poço a auto-estima?

Ron Ashkenas, um professor da Harvard, comenta em seu artigo “Como Decisões Triviais Impactam sua Felicidade” (How Trivial Decisions Will Impact Your Happiness, <clique aqui>) que são necessárias 10.000 horas de prática para atingir o domínio, a maestria em qualquer atividade – razão pela qual avançar na carreira demanda dedicação contínua e permanente.

Em sua coluna, o pesquisador alerta como podemos, ao longo desse tempo, não tomar consciência do que deixamos de lado para atingir essa tal maestria no campo profissional: o jantar que é adiado, a festa de família que é perdida ou aniversário d@ parceir@, esquecido.

Esses pequenos fatores, ainda que pequenos no todo, são fundamentais para atingir o difícil equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Como ele demonstra a maioria das pessoas não consegue atingir esse equilíbrio e, daquelas que entrevistou, os considerados mais bem sucedidos profissionalmente eram justamente os que tinham mais problemas no campo pessoal.

Para evitar que um caminho simplesmente “aconteça” em nossa vida, Ashkenas propõe que tenhamos para nós mesmas quais são nossos objetivos e o que estamos dispostos a sacrificar, no curto e no longo prazo, para obtê-los.

Qualquer que seja a sua resposta, seus hábitos terão de passar por um realinhamento – e sobre isso li, ontem (enquanto recupera as energias gastas na festa de reveillon na cama), um post bastante interessante sobre resoluções de ano novo.

Deborah Taylor-Hough (<clique aqui para ir ao seu blog>) enfrenta um problema de peso que já afeta sua saúde, estudante, mãe solteira e trabalhadora, reconhece as dificuldades da vida moderna para conseguir se concentrar em ter refeições balanceadas (o quanto e o que come), começar a fazer exercícios, beber água em quantidade adequada mais vezes ao dia etc.

Ela diz ter percebido que existe uma diferença entre fazer resoluções e formar novos hábitos – e se qualquer pessoa quer mudar sua vida, novas resoluções terão sempre de ser seguidas de novos hábitos. Deborah propõe que o segredo para obter sucesso nesse campo é focar um novo hábito por vez, para trabalhar por 4 a 6 semanas – tempo necessário para incutir a idéia de mudança no inconsciente.

Assim, em vez de tentar mudar sua alimentação – o quanto e o que come e em quanto tempo-, beber mais água e fazer mais exercícios tudo ao mesmo tempo, o mais simples e natural seria mudar uma coisa de cada vez.

Pessoalmente, não pensei este final de ano em resoluções, mas cheguei do Reveillon já pensando em tudo o que gostaria de mudar em mim este ano. E você?

 

 
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