Um dia de cada vez…

Elocubrações de uma mulher em transformação

Poucas pessoas me conhecem como minha manicure 05/06/2010

Filed under: Geral — Elaini @ 18:32
Tags: , , ,


Se deixou de cuidar de si mesma, pare e preste atenção: existe alguma coisa além da preocupação com a própria beleza aí. Como já mencionei, o corpo não apenas fala como “também tem memória, escuta e elabora, pensa, simboliza, identifica sentidos, aquilo que de alguma forma tem valor para o indivíduo” (Marcellino, s.d.).

A exploração excessiva da relação entre auto-estima e aparência pelos meios de comunicação e a propaganda conduziu a um enviesamento do conceito, prejudicial à busca da realização da própria pessoa.

É possível encontrar, por todo lado, mensagens que relacionam auto-estima e aparência, dando a entender que ao melhorar a aparência e nos tornarmos mais bonitas, teremos mais auto-estima, representada pela admiração e atenção dos que nos rodeiam.

Por um lado, acreditar nessa mensagem é mascarar o problema ou, o que é ainda pior, agravar a situação.

A autoestima pode ser definida como a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003).

Ainda que a relação do bebê (do nascimento aos três anos de idade) com a mãe seja fundamental, o período determinante para a formação da auto-estima vai dos três aos cinco anos de vida. É neste momento que a criança passa a se diferenciar da mãe e toma consciência do próprio “eu”, momento em que surge a psique individual.

Com efeito, relacionamentos saudáveis com os pais e com o ambiente, nesta fase, são fundamentais para que a pessoa desenvolva autoconfiança e capacidade de realização do seu potencial.


Se, no entanto, a criança é vítima de uma relação turbulenta, a falta de amor pode levar a sérios transtornos na vida futura, fazendo com que a pessoa não se sinta segura para gostar de si própria e, consequentemente, não acredite no amor do outro.

O sentimento de vazio daí resultante leva a uma busca compulsiva de satisfação externa, uma tentativa permanente de agradar mais aos outros do que a nós mesmos, numa certa forma de mendicância por amor e atenção alheios, já que nós mesmos somos incapazes de nos amar.

Por esta razão, oferecer tratamentos de beleza e estética como um remédio à satisfação pessoal conduz inevitavelmente à frustação. Não é à toa que o combate aos padrões de feminilidade fazia parte da bandeira de luta das feministas da década de 1960.

Por outro lado, o cuidado consigo mesma é um aspecto fundamental do amor-próprio.

F. Potreck-Rose e G. Jacob (2006) propõem uma abordagem psicoterapêutica para baixa auto-estima baseada no que elas chamam de “os quatro pilares da autoestima”, dois dos quais representam a dimensão intrapessoal da autoestima (autoaceitação e autoconfiança) e outros dois, a dimensão interpessoal (competência social e rede social).

Antes de iniciar esta terapia, contudo, faz-se necessário realizar um trabalho preparatório relacionado à formação do amor-próprio que abrange três elementos: “(i) tornar-se atento e consciente das próprias emoções, sentimentos, sensações, necessidades corporais e psíquicas; (ii) relacionar-se respeitosa e amorosamente consigo mesmo; e (iii) cuidar de si”.

Isso quer dizer que o se aceitar e se amar constitui condição para uma auto-estima saudável – e tudo o mais que daí decorre.

Por isso, se você deixou de cuidar da sua aparência, pare e pense. Isso pode ser um sinal de que você não se importa mais consigo mesma.

Para mim, pelo menos, isso sempre foi verdade, um indicativo de que não estava bem. Deixar de me depilar (e ser confundida com um urso), cutículas que alcançam o meio da unha, cada uma com um tamanho, cabelos quebradiços, para além dos aspectos fisiológicos, representavam meu estado de ânimo.

Ontem fui ao salão que frequento há, pelo menos, doze anos, onde pude constatar a veracidade do título deste post.

 

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.