Um dia de cada vez…

Elocubrações de uma mulher em transformação

Blogs como terapia de dessensibilização 27/07/2010


Ontem, pela primeira vez em mais de dois meses de vida deste blog, não consegui publicar um post antes do fim do dia. Apesar de meus esforços, de acordo com o registro da wordpress, a versão final foi publicada à 00:01h. E não morri por isso. Conclusão: este blog prestou-se a um dos fins para os quais o criei.Não consigo me lembrar do momento exato em que me tornei adepta das terapias de dessenbilização por choque, mas as sigo, pelo menos, desde a adolescência.

Quando fiquei um ano sem estudar entre o segundo e o terceiro colegial, assolada pelos efeitos de minha própria impaciência, decidi matricular-me num curso de bordado oferecido no centro social da minúscula cidade onde cresci.

Aprendi o ponto cruz nas versões original e duplo, o ponto de casear nas versões fechado, em pares, em pó e com picô, o ponto palestrina, o ponto de folha nas versões simples e aberto, o ponto cheio em suas duas versões, o ponto matiz, o ponto chato e o brocatelo, dentre tantos outros.


Como, posteriormente, desenvolvi tendinite, por esforço repititivo, não tenho bordado com frequência – e, creiam-me, eu bordo sim e ainda gosto disso -, mas os vários meses de esforço foram compensados com incremento da minha capacidade de concentração e de paciência.

Quando percebi, como já comentei num post anterior, a dificuldade ao me deparar em situações das quais não tinha o controle, matriculei-me num curso de dança de salão.

Aprendi a dançar o bolero, o samba de gafieira, a salsa, o merengue, o forró e o zouk (um derivado da antiga lambada).

Não apenas fui bem-sucedida em me deixar conduzir (ainda que, vez ou outra, tenha algum problema com a marcação), como ainda aprendi a apreciar toda a situação e me divertir demais com a dança e as companhias.

Um dos efeitos colaterais das aulas de dança de salão, com o qual não contava, mas o qual recebi de braços abertos, foi aceitar melhor meus erros (como também já comentei anteriormente).

De fato, tenho uma “inclinação acentuada” a ser perfeccionista naquilo que me proponho fazer (consegue notar o eufemismo desta frase?).

Na prática, isso significa que não aceito, digo, não aceitava erros, razão pela qual concentrava-me excessivamente em detalhes e revisões que nunca acabavam. Encerrar um trabalho era algo muito penoso, pois a minha impressão era de que nunca estava pronto.

Daí receber com alegria esse feito da dança – o detalhe é que somente a dança não me era suficiente, dado o grau de perfeccionismo desta que lhes escreve.

O caminho lógico para mim foi escrever um blog, tanto porque gosto de escrever (na realidade, mais do que gostar tinha uma necessidade premente de fazer isso), quanto porque a dinâmica de um blog que se propõe a ser uma espécie de diário não me permitiria me debruçar indefinidamente sobre cada texto a ser publicado – e sempre noto os errinhos que aparecem nas mensagens depois de publicadas.

Deixarei para outra oportunidade comentários sobre como o perfeccionista o é em decorrência da dependência que desenvolveu da avaliação externa, de sua crença de que somente o perfeito é aceitável.

Por hora, estou feliz porque, embora ainda esteja “em obras”, estou ciente de que errar é humano e, assim, permito-me ser um pouco mais humana. E, como observa o musicista espanhol Pablo Casals, “a principal  coisa na vida é não ter medo de ser humano”.

 

 
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