Há anos eu não tenho aparelho de televisão nos lugares onde vivo (com exceção da casa de minha família, é lógico) – e isso não fez lá muita diferença em minha vida, para falar bem a verdade.
Pessoalmente, não sou realmente adepta de novelas, que demandam dedicação muito grande para acompanhá-las (doses diárias por longos períodos). Jornais, desisti de os ver quando ainda estava no colegial e pude notar o enviesamento da cobertura jornalística entre os diferentes canais; e não conseguiria acompanhá-los todos para chegar a uma conclusão básica. Não gosto particularmente do tipo de humor veiculado hoje em dia – cassetadas, por exemplo, tiram-me do sério.
A única coisa que realmente aproveitava de tudo o que via eram as animações e, em especial, as séries de todos os tipos, mini-séries, séries em temporadas, importadas, especiais e o que mais houvesse.
De fato, este é o tipo de programa ideal para mim: episódios curtos, em geral, semanais e por períodos determinados (ainda que estáveis, a temporada se estende apenas por alguns meses dos anos). Tudo isso possibilita acompanhar a história sem ter de me dedicar muito tempo a uma narrativa. Com um benefício adicional: a maior parte das séries podem ser acompanhadas pela internet hoje em dia (se não pelos próprios canais que as veiculam, por páginas alternativas como a TV.Blinkx, a Freeonlineepisodes, a Assistirsériesonline ou a Blogdefilmes), o que significa a possibilidade de as ver em qualquer lugar, não necessariamente em casa, em qualquer horário do dia.
Neste cenário, logicamente, o estímulo para comprar um aparelho de tv cai drasticamente; e tudo será feito pelo computador. No limite, se assistir aos canais típicos de TV fizer muita falta, é possível comprar um adaptador de TV para o computador. Quem precisa de um aparelho de TV assim? Eu certamente que não. Não tinha um em São Paulo, não tenho um aqui em Berlim.
Enquanto isso, viva as séries!
Isso dá lugar a absurdos como o episódio “Naruto” pelo qual passei nas últimas semanas (confira aqui), por outro lado, também permite que encontre algumas que nos oferecem algo. Uma das últimas que descobri se chama “In treatment” (em português, Em tratamento).

Acabo de a descobrir, mas já está na terceira temporada.
A série é produzida pela HBO nos Estados Unidos, sob a direção de Rodrigo Garcia, um colombiano que dirigiu alguns episódios das séries Os Sopranos e Big Love. É composta por episódios de cerca de 25 minutos, veiculados diariamente, que correspondem cada um a uma sessão de terapia, de segunda a quinta-feira, dos pacientes de Paul Weston (o psicanalista interpretado por Gabriel Byrne) e, na sexta-feira, do próprio Paul.
Embora ainda esteja na terceira semana, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a reação de Paul com sua orientadora, Gina. De fato, vox populi vox dei, em casa de ferreiro, espeto é de pau.
É incrível como ele reage da mesma forma que as pessoas que ele ouve no dia a dia quando questionado e, cego, não consegue visualizar ou admitir o fato.
De um lado, é possível interpretar isso como um alerta para as pessoas que cuidam de nossa saúde mental e em sentido contrário à busca de ajuda em terapia, diriam os contrários a terapia. Por outro, podemos tomar os comportamentos a que assistimos nessa série como um ponto de partida para questionar nosso próprio comportamento. Nesta linha é que me encaixo.
Imaginei, logo de partida, essa minha tendência a me auto-analisar – como se isso fosse possível; e o quanto não devo cair em racionalizações ou ser engolida por minha sombra sem nem ao menos notar, como vejo acontecer com algumas pessoas ao meu redor.
Tudo isso só reforçou a minha decisão de trabalhar para poder voltar à terapia uma vez de volta em São Paulo.
A página da série na HBO pode ser acessada aqui, e os episódios legendados, aqui.
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Contagem regressiva: 95 dias…