
Ontem, pela primeira vez em mais de dois meses de vida deste blog, não consegui publicar um post antes do fim do dia. Apesar de meus esforços, de acordo com o registro da wordpress, a versão final foi publicada à 00:01h. E não morri por isso. Conclusão: este blog prestou-se a um dos fins para os quais o criei.Não consigo me lembrar do momento exato em que me tornei adepta das terapias de dessenbilização por choque, mas as sigo, pelo menos, desde a adolescência.
Quando fiquei um ano sem estudar entre o segundo e o terceiro colegial, assolada pelos efeitos de minha própria impaciência, decidi matricular-me num curso de bordado oferecido no centro social da minúscula cidade onde cresci.
Aprendi o ponto cruz nas versões original e duplo, o ponto de casear nas versões fechado, em pares, em pó e com picô, o ponto palestrina, o ponto de folha nas versões simples e aberto, o ponto cheio em suas duas versões, o ponto matiz, o ponto chato e o brocatelo, dentre tantos outros.

Como, posteriormente, desenvolvi tendinite, por esforço repititivo, não tenho bordado com frequência – e, creiam-me, eu bordo sim e ainda gosto disso -, mas os vários meses de esforço foram compensados com incremento da minha capacidade de concentração e de paciência.
Quando percebi, como já comentei num post anterior, a dificuldade ao me deparar em situações das quais não tinha o controle, matriculei-me num curso de dança de salão.
Aprendi a dançar o bolero, o samba de gafieira, a salsa, o merengue, o forró e o zouk (um derivado da antiga lambada).
Não apenas fui bem-sucedida em me deixar conduzir (ainda que, vez ou outra, tenha algum problema com a marcação), como ainda aprendi a apreciar toda a situação e me divertir demais com a dança e as companhias.
Um dos efeitos colaterais das aulas de dança de salão, com o qual não contava, mas o qual recebi de braços abertos, foi aceitar melhor meus erros (como também já comentei anteriormente).
De fato, tenho uma “inclinação acentuada” a ser perfeccionista naquilo que me proponho fazer (consegue notar o eufemismo desta frase?).
Na prática, isso significa que não aceito, digo, não aceitava erros, razão pela qual concentrava-me excessivamente em detalhes e revisões que nunca acabavam. Encerrar um trabalho era algo muito penoso, pois a minha impressão era de que nunca estava pronto.
Daí receber com alegria esse feito da dança – o detalhe é que somente a dança não me era suficiente, dado o grau de perfeccionismo desta que lhes escreve.
O caminho lógico para mim foi escrever um blog, tanto porque gosto de escrever (na realidade, mais do que gostar tinha uma necessidade premente de fazer isso), quanto porque a dinâmica de um blog que se propõe a ser uma espécie de diário não me permitiria me debruçar indefinidamente sobre cada texto a ser publicado – e sempre noto os errinhos que aparecem nas mensagens depois de publicadas.
Deixarei para outra oportunidade comentários sobre como o perfeccionista o é em decorrência da dependência que desenvolveu da avaliação externa, de sua crença de que somente o perfeito é aceitável.
Por hora, estou feliz porque, embora ainda esteja “em obras”, estou ciente de que errar é humano e, assim, permito-me ser um pouco mais humana. E, como observa o musicista espanhol Pablo Casals, “a principal coisa na vida é não ter medo de ser humano”.